01 Dezembro 2009

Passou, passará



As águas de dezembro chegaram para abrir o verão. Eu fico triste quando o dia é corrido e tudo que penso é “que saco, tá chovendo”. Anos antes ficaria feliz “oba, vou pra rua, vai chover!”. Mas é difícil se alegrar com chuva quando há trabalho, estudos e contas a pagar.
Eu, antes, vivia feliz com o verão e, influenciada por filminhos da sessão da tarde, “Meu Primeiro Amor”, coisa a e tal, tentava sempre fazer do meu verão uma coisa inesquecível. Achava que nunca conseguia e no ano seguinte tentava de novo.
Hoje eu sei que todos os verões, as férias e as tardes na chuva foram inesquecíveis.

24 Novembro 2009

Padrão de beleza, #comofas?

Homens, preparem o sorriso para o que vão ler agora: eu não entendo as mulheres!
Isso mesmo, não entendo. Sou uma delas, mas ouço umas coisas por aí que simplesmente não fazem sentido. Elas sofrem com dietas e sapatos de salto e reclamam que o mundo é mau e só as magras têm vez.
Então, aparece uma mulher-fruta ou uma Priscila Pires – quem mede 1,60 e é beeem cheia de curvas – e a mulherada olha feio, desdenha e diz “gorda”. E depois reclamam que a mídia só quer saber de mulher gostosa, que é o império da boa forma, que gordinhas não têm vez e blá blá blá.
Daí aparece a Preta Gil, se orgulhando das gordurinhas e todo mundo avacalha com a auto-estima da menina. Confuso, né?
Mas, na verdade, eu também não entendo os homens. Até certo ponto, eles são mais coerentes do que as mulheres. Uns dizem: gosto é de carne; e pode aparecer Melancia, Melão, Priscila, o que for, que eles estão babando. Outros dizem: gosto de mulher magra e então admiram-se por Deborah Secco, Ana Hickman e Gisele Bundchen. Homens gostam e pronto. Não questionam, não inventam história. E também não se preocupam se o que está na moda é ter o físico do Rodrigo Lombardi ou do Humberto Martins, porque são questões irrelevantes para o universo masculino. Não vamos entrar no mérito do profissionalismo de cada uma das mulheres citadas neste texto, porque é certo que algumas estão na mídia por motivo duvidoso. A questão é forma física.
Então aparece a Preta Gil e eles - contradizendo todo o bom-senso (ou a falta de critério) masculino - chamam de gorda, de baleia e fazem piadinhas – e aqueles que não fazem, riem das piadinhas dos outros. As meninas concordam, riem e chamam a moça de ridícula.
Eu penso que mulheres iguaizinhas a Preta Gil existem aos montes nesse nosso brasilzão. Eu mesma posso citar umas 5 conhecidas sem precisar forçar a memória. O corpo da mulher brasileira, em geral, está muito mais para cheinho do que para modelo de passarela. Magras e altas são exceção. Então você, rapaz, me diz: com quantas modeletes você já ficou nessa vida? Tenho certeza que muitos desses rapazes que fazem piadinha já ficaram com vááárias menininhas à lá Preta Gil. E duvido que tenham feito piadinha no dia seguinte. Ao contrário, se falaram alguma coisa, foi que a menina era bem gostosa.
Ou seja, Preta Gil tem aos montes por aí. E rapaz nenhum para pra fazer piada. Só posso concluir que o que incomoda na moça é a auto-estima elevadíssima que ela tem e não faz questão de esconder. Porque homem, sabe como é: bicho meio inseguro.
Já as mulheres, não há explicação. Elas são confusas por natureza.




*Como escrevi esse texto faz tempo, as referências e exemplos são bem do "semestre passado". Fiquei com preguiça de pesquisar quem tá na moda agora, sorry. (:

02 Novembro 2009

Fica sempre uma lembrança...

Não sei se é culpa do Dia de Finados, da proximidade do meu aniversário que deixa tudo mais nostálgico – aquela certeza de que tudo passa e que, uma vez passado, não volta – ou se é influência desse texto aqui, que me pegou lá no insconsciente. Talvez seja tudo isso junto. O fato é que, nesses dias, dei pra pensar no meu avô. Pensei nele e, metalinguisticamente pensando, pensei na forma como me recordo dele. Ele morreu em 2005 e de todos os passeios, as tardes no sítio, os presentes, a doença, o sofrimento e a morte, o que ficou gravado em minha memória são duas cenas. Encuquei por umas horas. Como é estranho o nosso processo de arquivamento de pessoas! Pois de tudo o que vivi ao lado do seu Pedro, duas coisas sobressaem a qualquer outra lembrança que eu possa ter:

Eu, com 5 anos, estou sentada na varanda da casa do sítio. Descalça, camiseta larga, shorts de lycra. É fim de tarde e sinto meu rosto sujo de terra, mas não entro no chuveiro de jeito nenhum. Estou ansiosa. Sentada num banco de madeira, esfrego um pé o outro. Chega o monza dourado e eu levanto a cabeça: o vô e a vó! Pulo do banco e saio correndo. Os dois descem do carro e estão de cabeça baixa, eu ignoro e peço: compra sorvete de uva? Minha mãe me repreende, que agora não é hora e eu devo esperar. O vô e a vó entram na cozinha, conversam com a mãe, comem, tomam café e voltam para o carro. Antes de sair, o vô grita que é pra eu esperar que logo ele vem. Sento de novo,os pés se esfregando. Passa pouco tempo, ele volta. Pára o carro e não desce: me chama na janela, entrega o sorvete - picolé de uva! - e vai embora mais uma vez. A mãe me explica então que ele tem que ir porque logo logo é a hora do enterro do pai dele, meu bisavô, que morreu.


Na outra cena, eu estou no mesmo lugar: a varanda do sítio, que é onde meu avô morava. Só que desta vez, estou em pé, com os cotovelos apoiados na mesa de madeira, as mãos segurando o rosto. Pareço aborrecida e mais uma vez tento adiar o banho. Chega o carro, entra na garagem e o vô e a vó descem sorrindo. Ele segura um embrulho, eu nem desconfio que possa ser de outra pessoa e já lhe tomo das mãos. Rasgo o papel, rasgo a caixa de papelão e tiro de dentro o presente: a miniatura de ventilador. Colorido, com botões na base, um pescocinho que sustenta a gaiolinha que protege as hélices. Cada parte de uma cor. Peço pilhas e o vô pega no porta-luvas do carro. Ligo, coloco em cima da mesa e paro na frente, na mesma posição que estava antes: rosto apoiado nas mãos, mas agora com vento e sorriso no rosto. O vô senta na cadeira por perto e ri de mim.


Eu cismei de tentar entender porque é que, de tudo aquilo, dos 19 anos juntos, foi justo isso que ficou. Deixo de cismar e entendi que a memória não faz sentido. Ou que, talvez, faça todo o sentido do mundo.

28 Outubro 2009

Joga pedra na Geni

“Todo machista teve mãe”, disse uma vez uma menina na faculdade, com quem não tenho mais contato.
Essa frase veio a calhar quando fiquei sabendo do caso da menina que foi expulsa da Uniban por usar roupas muito curtas. A história vai além disso, mas como me deu preguiça de explicar, deixo aqui esse link. Lá tem um vídeo e a explicação do ocorrido.
Quando fiquei sabendo do fato, tremi, fiquei chocada, quase chorei e por fim tive vontade de chamar um por um dos caras que começaram com a cena toda de FILHO DA PUTA, em alto e bom tom. E não que eu acredite que as mães desses rapazes tenham sido putas - e caso tenham sido, isso não é problema meu. Eu só acho elas precisam de uma boa ofensa, para saberem que não tiveram sucesso algum ao educar seus filhos.
Eu sei que existem mulheres que não conseguem discernir muito bem uma roupa de trabalho de uma roupa de baile funk, mas penso eu que isso é um problema muito mais delas do que meu ou de qualquer outra pessoa. Eu sei também que um microvestido chama a atenção dos marmanjos na rua, que eles olham e assoviam. Isso é normal e toda menina que gosta de mini-saia sabe como funciona. Mas daí para os caras se juntarem e encurralarem a menina dizendo “vou te comer” há uma longa distância, que é mais ou menos a distância que separa a civilização da barbárie.
Eu penso que esses meninos que começaram com a palhaçada toda talvez, coitados, não tenham mães, nem irmãs e nem avós. Porque mulher é mulher, tem que ser respeitada como ser-humano, e não é porque ela está usando uma roupa insinuante que qualquer um tem o direito de estuprá-la.
A lógica desses rapazes – estudantes universitários! - é um tanto quanto equivocada. Assim fosse, um homem acusado de estupro poderia muito bem se safar da pena dizendo: “Mas a calça dela era tão justa. Ela mereceu”.
E então eu duvido que as mães, irmãs, tias e primas desses bons rapazes nunca tenham usado uma roupa que, pela lógica deles, justificasse um estupro.
Enfim, achei nojento, repugnante e revoltante a atitude daqueles meninos.
Mas o que realmente me causou revolta a ponto de criar este post é o fato de haver na cena muitas meninas gritando, rindo e chamando a garota de puta.
No momento em que as mulheres deveriam sentir nojo dos homens – homens que convivem socialmente com elas, homens que ameaçam estuprar uma menina que usa roupas curtas – elas se esquecem de que estão na mesma condição da acusada e se unem aos rapazes.
Eu não sei se tais garotas foram acometidas pelo instinto de demarcação de território – certamente muitas delas têm namorados, ficantes e paqueras ali na universidade – e por isso se comportaram como hipócritas inquisidoras.
Tenho certeza que qualquer mulher racional sentiu ódio daquela cena. São anos de luta pela igualdade jogados no lixo, porque se uma mulher não tem o direito de se vestir como deseja sem ser perturbada, então de nada valeu o que alcançamos até aqui.
E se mulheres, mesmo que instintivamente, apóiam atitudes machistas deste tipo, o que esperar dos filhos delas?
Eu já expliquei em um texto aqui nesse blog o que penso de mulheres que mostram o corpo. Acho que isso passa muito longe de subjugação ao sexo masculino. Penso que tem muito mais a ver com direito de escolha. Se a menina estava em trajes inadequados para aquele ambiente, caberia à direção da faculdade chamá-la para uma conversa. Isso é o máximo que se pode esperar de um caso desses. Nunca o que vi nos vídeos. Nunca por universitários, civilizados, que vivem no século 21. E jamais apoiado por mulheres que brigam por seus direitos e que desejam um dia ser respeitadas.
Precisa explicar porque o machismo – esse machismo sujo e nojento - está tão longe do seu fim?




Esse texto é um desabafo, cheio de indignação.O assunto rende muito mais, e pretendo escrever.

25 Outubro 2009

Lições de picaretagem para manter a casa em ordem

Depois de uma semana cheia, quando finalmente pude parar para comer, respirar e voltar a viver, tive que procurar a minha cama em meio a todas aquelas roupas, livros e sapatos. Quando recobrei a consciência - porque se tem uma coisa que me faz perder a cabeça é falta de tempo -, percebi que era hora de arrumar o quarto. Perdi uma tarde dobrando, guardando, varrendo e separando: isso vai pro lixo, isso não.
É que nessa minha semana caótica, eu simplesmente ignorei coisas que aprendi nesses três anos de vida em república. Nesse meu tempo de vida longe da casa da mamãe desenvolvi técnicas de como manter uma casa arrumada para poder adiar a grande faxina.
Então, achei legal colocar aqui umas dicas da mais pura picaretagem: como fazer sua casa parecer que está arrumada.

1. Tenha tapetes. Pelo menos um na entrada da casa e outro na frente da porta do banheiro. Um em frente a pia também pode ser muito útil. Eles evitam que você leve sujeira ou água para o resto da casa depois de chegar da rua, lavar a louça ou tomar banho.

2. Mantenha o hábito de tirar o lixo da sacolinha antes de transbordar. Uma vez que a sacola – ou o cestinho – está cheia, a tendência é que o lixo acabe caindo no chão. E quanto mais lixo no chão, maior a preguiça de limpar e aí, mais lixo no chão.

3. Aprenda a jogar fora coisas inúteis. Se você nunca irá pedir uma pizza de atum que custa 35 reais, pra que guardar o panfleto daquela pizzaria?

4. Entre deixar o tênis no meio do quarto ou embaixo da cama, fique com a segunda opção. Em um dia que você trocar de sapato 3 vezes, isso vai fazer toda a diferença.

5. Aprenda a tirar os restos de comida do ralo da pia. Deixar a sujeira acumular ali é a pior coisa que você pode fazer. Acredite: desentupir uma pia não é nada agradável.

6. Se não dá tempo de lavar a louça, vai a dica: brinque de encaixar. Isso mesmo. Coloque o copo menor dentro do maior. O copo maior dentro do pote e o pote dentro da panela. Sobrou um cantinho na panela? Coloque a xícara. E os garfos e facas você já sabe: é só colocar dentro do copo. Pronto! Guarde essa obra de arte na pia – mas não em cima do ralo, senão a água não desce e você cria uma piscininha.
Assim, fica parecendo que sua pia está limpa e que só tem umas coisinhas ali no canto pra lavar mais tarde.

7. Tenha um cesto de roupas no seu quarto. De preferência, um colorido, bontinho. Essa é uma dica que eu ainda não coloquei em prática, mas quando vejo minha cama coberta de vestidos e camisetas, penso no quão útil isso seria. E colorido e bonitinho porque, né, deixa tudo mais alegre.

8. Essa serve para as meninas: tenha um mancebo. E não, não estou falando de um belo rapaz guardado embaixo da cama, todo disposto a aliviar sua tensão. Mancebo, para quem não sabe, é esse objeto aqui, coisa que no tempo da sua avó servia para pendurar chapéus, mas que hoje é ótimo para pendurar bolsas, mochilas, casacos, colares e ainda sua toalha de banho. Chegou cansada e quer cair na cama? Joga a jaqueta lá! Sua cama e seu chão ficam lindos. O mancebo também pode substituir o cesto de roupas sujas em alguns casos, mas não recomendo se você demora muito para lavá-las: ele pode ficar muito cheio e tombar.

9. Arrumar a cama é total perda de tempo, eu sei. Mas que dá uma impressão de quarto arrumado, isso dá. Então, pra quem não curte muito ficar dobrando e guardando, a dica é: quando acordar, estenda seu edredom sobre todas as outras coisas: lençol, travesseiro, pijama. Vai parecer lindo e à noite é só entrar embaixo.

10. Mantenha o tapete e as almofadas da sala no lugar. Mesmo que o chão esteja sujo e os móveis empoeirados, vai parecer que as coisas estão onde deveriam estar, tudo lindo e bem organizado.


Aceito outras sugestões porque atualmente tempo é o que me falta e preguiça é o que me sobra.

22 Outubro 2009

Shit happens


Peguei uma gripe, fiquei sem dinheiro e descobri que o TCC é pra ontem. Fui até o assentamento fazer as entrevistas que faltam e, no meio do caminho, choveu. Tudo virou lama, me molhei e passei frio. Um caminhão, em alta velocidade, por 10 centímetros não me mata. Chegou o dia de pagar aluguel e nada de dinheiro na minha conta. E falando em conta, a de luz chegou e veio cara. Somado a tudo isso, estou de TPM.

Não precisei quebrar a cabeça para entender: parabéns, garota, é o seu inferno astral! Para os menos ligados em astrologia, inferno astral é o mês que antecede o seu aniversário. É a época em que você tem grande tendência de se afundar numa depressão ou de entrar de cabeça numa maré de azar. Ou entrar de cabeça numa maré de azar e então se afundar na depressão!

Como depressão é coisa que não me pega, restou a falta de sorte. E ela veio toda acumulada em uma semana. Uma terrível semana.

Tudo deu errado e, pra piorar, meu quarto virou uma bagunça devido à minha falta de tempo, resolvi arrumar hoje e sinto que ganhei uma hérnia de disco.

Mas quem me conhece sabe que sou uma pessoa que tem fé na vida, e aí, eu que curto astrologia mas não sou nenhum João Bidu, lembrei que uma vez ouvi a expressão “paraíso astral”. Criei esperança, dei um google nela e descobri nisso aqui: “Paraíso Astral é o oposto de Inferno Astral, quando tudo parece funcionar perfeitamente bem, ou pelo menos em um nível melhor “.

E aí, no mesmo sitezinho bacana que me forneceu essa informação, coloquei o dia do meu aniversário e descobri que meu paraíso astral vai de 03 de abril a 03 de maio. Foi então que tive certeza que estou mesmo no inferno astral, porque até o meu paraíso astral resolveu me sacanear e aparecer SÓ NO ANO QUE VEM!
Ou seja, as coisas, pelo visto, só andarão bem em 2010. Pois bem. Tratarei de arrumar dinheiro – manhê! -, terminarei até amanhã meu TCC, lavarei meu tênis que antes da lama era branco, comprarei chocolate e mandarei o paraíso e o inferno à merda. Logo mais é meu aniversário, o inferno vai passar e mesmo que não venha o paraíso, as coisas vão ficar bem. Aconselho aqueles que passam pelo inferno astral que façam o mesmo: mandem-no à merda. E aqueles que estão prestes a entrar no maledeto período, que se previnam com guarda-chuvas, chocolates e atenção ao atravessar a rua. E à todos, deixo a dica válida para o dia 03 de novembro: chocolates me apetecem.

11 Outubro 2009

Brilha, brilha, estrelinha...

"Se lhes dou esses detalhes sobre o asteróide B 612 e lhes confio o seu número, é por causa das pessoas grandes. As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: "Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que coleciona borboletas?" Mas perguntam: "Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?" Somente então é que elas julgam conhecê-lo. Se dizemos às pessoas grandes: "Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado..." elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa. É preciso dizer-lhes: "Vi uma casa de seiscentos contos". Então elas exclamam: 'Que beleza!'"

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry



Semana passada, no programa do Jô, para minha surpresa e perplexidade, um dos entrevistados era meu ex-professor de física do colegial. O “seu Márcio” estava lá no sofá do gordo para falar de uma descoberta que fizera anos atrás: uma estrela. Pasmei quando vi porque eu já sabia da história de que aquele cara sério que me dava zeros com muito desdém havia descoberto uma estrela. Era um dos comentários do colégio desde o início dos anos 2000 (que pra mim ainda parecem estar logo ali e já se foram 9 primaveras). Santo de casa não faz milagre mesmo! Eu não levava a sério quando diziam que aquele homem que falava de números como quem passa uma receita de bolo havia sido procurado pela NASA. E, ainda que ele trouxesse uma foto e o registro em cartório do nome da estrela, com o nome dele na parte em que se preenche “filiação”, eu não me surpreenderia. Acontece que, além de santo de casa não fazer milagre, eu, até semana passada, pensava que descobrir estrelas era a coisa mais comum – ou a maior balela – do mundo. Se você estiver numa pequena cidade do interior, e se for noite de lua, saia lá fora e olhe para o céu. São muitas! É bem fácil um mané apontar uma, inventar umas coordenadas e dizer “essa estrela fui eu que descobri”. Quem vai falar que não? Quem vai falar “opa, meu rapaz, essa não. Essa estrela aí quem descobriu fui eu”
Daí, quando vi o seu Márcio no programa do Jô, falando da estrela, do observatório e da NASA, fiquei a pensar que talvez batizar uma estrela tenha lá sua importância para o futuro da humanidade. Comentei isso com um amigo e ele disse que sim, descobrir uma estrela é algo “mto foda” e que eu não tinha noção da importância. Então eu lembrei de quando meu namorado me disse, contente e surpreso, que uns caras de não sei de onde conseguiram fotografar a curvatura da terra (era isso mesmo?) colocando uma câmera em um balão. E lembrei também do meu total desdém com filosofias, invenções e descobertas, por que no fundo eu acho que tudo é uma questão de estar no lugar certo e na hora certa e de ter bastante tempo para pensar em uma coisa só. E que tudo que o homem cria é só uma forma que ele encontra para justificar sua efêmera existência nesse planetinha azul, perdido entre tantas estrelas, perigando explodir a qualquer minuto. E que nomear uma estrela é uma boa forma de sentir um pouco de domínio sobre algo que existe há muito tempo e que nunca precisou e nem precisará de mim, nem de você, pra continuar existindo e brilhando a milhões de quilômetros de distância - e pensei nesse vídeo aqui. Por final, achei louvável descobrir estrelas, porque enquanto eu escrevo este textinho inútil como forma de justificar minha pífia existência, pessoas podem dizer que aquela coisinha que brilha lá longe é sua descoberta e tem um nome que elas escolheram, apesar de aquela coisinha que brilha lá longe nunca saber que um dia teve um nome.


E, já que hoje é dia das crianças e eu citei lá em cima, deixo aqui "O Pequeno Prícipe" (com ilustração e tudo!) para quem quiser ler.